Por Afribraz Editorial Desk
No Brasil contemporâneo, onde a população afrodescendente representa uma força demográfica, econômica e cultural decisiva, poucas organizações conseguem ir além do discurso e atuar de forma estruturada na transformação social. Entre essas iniciativas emergentes está a CONEBRAS (Confederação dos Negros do Brasil), que vem se posicionando na interseção entre identidade, economia e progresso coletivo.
No centro dessa iniciativa está seu fundador e presidente, Macota Tata Hoji, cuja filosofia combina consciência ancestral, valorização identitária e estratégia organizacional moderna.

Descobrindo a CONEBRAS: Muito Além de uma Organização
Conhecer a CONEBRAS não significa apenas descobrir mais uma ONG ou movimento social. Trata-se de compreender uma iniciativa impulsionada por um senso de urgência histórica, uma resposta às desigualdades estruturais que ainda impactam grande parte da população negra no Brasil.
A organização se define como uma confederação voltada para unir, organizar e impulsionar a população afro-brasileira rumo ao progresso autônomo. Sua filosofia central é resumida na expressão:
“Nós por nós mesmos.”
Essa visão propõe uma estratégia baseada em:
- Fortalecimento da capacidade interna da comunidade;
- Desenvolvimento da economia coletiva;
- Libertação psicológica, cultural e identitária.
Em vez de depender exclusivamente de estruturas externas, a CONEBRAS aposta na organização comunitária como instrumento de transformação econômica e social.
Origem: Por que a CONEBRAS foi fundada
A criação da CONEBRAS nasceu de uma constatação simples, porém poderosa:
“A desorganização enfraquece o poder coletivo.”
Fundada em 2019, a organização surgiu como resposta a três grandes lacunas observadas na sociedade brasileira:
- A ausência de uma estrutura nacional coordenada voltada ao avanço da população negra;
- O subaproveitamento do potencial econômico afro-brasileiro;
- A falta de integração entre cultura, educação e negócios.
A partir dessa realidade, a CONEBRAS foi concebida não apenas como uma entidade representativa, mas como um modelo de confederação com ambição nacional, buscando presença e articulação em todos os estados do Brasil.
Seu conceito filosófico está fundamentado nos pilares do IAIA:
- Identidade
- Autonomia
- Independência
- Autoestima
Esses princípios orientam a construção de uma consciência coletiva voltada para fortalecimento social e econômico.
O Fundador: A Visão de Macota Tata Hoji
Macota Tata Hoji não atua apenas como gestor institucional, sua liderança se apresenta como uma proposta de articulação da consciência coletiva afro-brasileira.
Sua atuação é marcada por:
- Base ideológica pan-africanista;
- Ênfase na libertação mental e no fortalecimento da autoestima;
- Defesa da independência econômica e da circulação de riqueza dentro da comunidade negra (“Black Money”);
- Foco em organização estruturada, além do ativismo simbólico.
Por meio de palestras, mobilizações sociais e articulações estratégicas, ele vem posicionando a CONEBRAS como um movimento híbrido entre ação social, fortalecimento identitário e despertar econômico.
O que a CONEBRAS faz: Estrutura e Estratégia
A atuação da CONEBRAS está organizada em pilares voltados para gerar impacto concreto na sociedade.
Educação e Capacitação
Da formação infantil à qualificação profissional, a educação é tratada como eixo central de transformação social e econômica.
Empreendedorismo e Economia Negra
A organização promove a circulação de riqueza dentro da comunidade negra, incentivando negócios próprios, consumo consciente e fortalecimento econômico coletivo.
Identidade Cultural
A valorização da identidade afro-brasileira é apresentada como elemento essencial para o fortalecimento da confiança, da autoestima e da afirmação econômica.
Networking e Oportunidades
A CONEBRAS busca criar conexões entre profissionais, empreendedores, estudantes e jovens talentos, ampliando oportunidades de desenvolvimento.
Representatividade e Equidade
Outro foco da organização é ampliar o posicionamento estratégico da população negra em espaços sociais, econômicos e institucionais.
Por que isso importa: O contexto brasileiro
O Brasil abriga uma das maiores populações negras do mundo, com mais de 110 milhões de afrodescendentes. Ainda assim, persistem desigualdades profundas em áreas como:
- Renda;
- Educação;
- Empreendedorismo;
- Representação política;
- Acesso a oportunidades econômicas.
Diante desse cenário, a CONEBRAS apresenta uma proposta direta:
“O problema não é a falta de potencial, mas a falta de organização estruturada.”
Integração e Oportunidades: Um Novo Modelo para o Brasil Negro
Um dos diferenciais da CONEBRAS está em seu modelo de integração social e econômica, conectando:
- Profissionais;
- Empreendedores;
- Estudantes;
- Líderes culturais;
- Jóvenes talentos.
Essa integração busca gerar oportunidades reais, como:
- Parcerias de negócios;
- Redes de mentoria;
- Acesso a conhecimento e financiamento;
- Fortalecimento do poder coletivo.
A visão de longo prazo da organização é ambiciosa: construir um ecossistema completo de desenvolvimento, indo da formação educacional ao empreendedorismo sustentável.
Uma Análise Crítica: Promessas e Desafios
Apesar de seu potencial transformador, o futuro da CONEBRAS dependerá de fatores estratégicos importantes, entre eles:
- Capacidade de expansão em um país diverso como o Brasil;
- Transparência institucional;
- Transformação da ideologia em resultados econômicos mensuráveis;
- Engajamento contínuo da comunidade;
- Consolidação organizacional de longo prazo.
Movimentos dessa natureza frequentemente enfrentam o desafio de evoluir da mobilização social para uma institucionalização sólida e sustentável.
O II ENACO e o Fortalecimento do Movimento
No dia 23 de maio de 2026, aconteceu o II ENACO – Encontro Nacional CONEBRAS, considerado pelos participantes um marco importante para o fortalecimento da organização.
Rita de Cassio, da Promet Soluções Integradas, destacou em publicação no grupo da entidade:
“Nosso II Encontro Nacional CONEBRAS foi um momento de acolhimento, reflexão e descontração. Tivemos a honra de receber nossa palestrante Ana Minuto, que trouxe uma poderosa reflexão sobre autorreconhecimento e valorização do povo preto.”
Ela também ressaltou os momentos de integração proporcionados pela sessão de fotos, coffee break e happy hour, além da recepção calorosa aos participantes vindos do Rio de Janeiro, Joana e Washington.
Segundo os relatos, o encontro gerou forte entusiasmo entre os presentes, muitos já demonstrando interesse pelo próximo evento, que já possui data prevista.
O presidente Macota Tata Hoji também publicou uma mensagem convocando a participação da comunidade:
“II ENACO – Encontro Nacional CONEBRAS, onde apresentamos o PEC – Plano Estratégico CONEBRAS. Um acontecimento histórico que marca o início de uma ação que dará frutos para toda a nossa irmandade afro-brasileira e periférica. Venha fazer parte desta mudança.”
CONCLUSÃO: UM CHAMADO À REFLEXÃO COLETIVA
A CONEBRAS representa mais do que uma organização, ela simboliza uma tentativa de mudança de narrativa.
O movimento propõe substituir a lógica da dependência por um chamado à:
- Autonomia;
- Inteligência econômica;
- Organização coletiva;
- Orgulho cultural;
- Fortalecimento identitário.
Sob a liderança de Macota Tata Hoji, a CONEBRAS busca redefinir caminhos para o avanço coletivo da população negra no Brasil contemporâneo.
Para a Afribraz Global Business Magazine, a questão já não é se a CONEBRAS possui relevância social e econômica, isso se torna cada vez mais evidente.
A grande pergunta agora é:
Será que movimentos como a CONEBRAS conseguirão transformar consciência coletiva em poder econômico sustentável e, assim, contribuir para redefinir o futuro do Brasil negro?
O tempo – e, principalmente, a capacidade de execução – dará essa resposta.
Mas talvez exista uma pergunta ainda mais profunda, lançada pela própria CONEBRAS à sociedade e, principalmente, às comunidades negras:
Será que a CONEBRAS conseguirá apoio suficiente para transformar sua visão em realidade, sobretudo o apoio da própria comunidade negra?
A pergunta faz sentido. Afinal, uma única árvore não forma uma floresta. Da mesma forma, nenhum movimento coletivo se sustenta sem participação, confiança, união e engajamento contínuo.
Em outras palavras: para construir transformação real, é preciso caminhar em conjunto.
A história mostra que muitos movimentos nasceram com grandes ideias, mas poucos conseguiram consolidar estruturas duradouras sem apoio comunitário consistente.
Por isso, a reflexão proposta pela CONEBRAS vai além da organização em si. Ela questiona:
- O nível de consciência coletiva existente hoje;
- A disposição para cooperação econômica;
- A capacidade de união em torno de objetivos comuns;
- E o comprometimento da própria comunidade com projetos de longo prazo.
A resposta para essas perguntas não virá apenas dos discursos, mas das ações práticas, da participação e da construção coletiva nos próximos anos.
E você, qual é a sua resposta para essa reflexão?